Professora de sétimo ano planejou aula na qual os alunos escolheram um bichinho de pelúcia, boneco ou animalzinho de estimação para que os fizessem companhia

por Cassia Cristina dos Santos ilustração relógio 31 de março de 2021

Depois de sete anos trabalhando em uma Secretaria Municipal de Educação, como componente da equipe de dois diferentes departamentos voltados para a organização pedagógica e da gestão de projetos educacionais que atende aproximadamente 60 mil alunos do ensino fundamental 1 e 2 (regular e EJA), neste fevereiro de 2021 retornei para as minhas atividades como professora de ciências na sala de aula.

Logo no primeiro dia, abri um diálogo com os alunos, que neste ambiente, seriam os mais experientes com as aulas remotas, já que, até no ano passado estava afastada das aulas para essas outras atividades acima descritas. Então, eles me aconselharam, me deram dicas de como funciona esse novo universo escolar remoto a partir da perspectiva de cada um.

urante meus 19 anos de docência, já tive oportunidade de trabalhar com o uso de tecnologias em sala de aula. Sempre que surgia um tema que julgava oportuno, sugeria aos alunos que utilizassem, dentro de nossas possibilidades de escola pública periférica, as tecnologias como aliadas ao aprendizado. Assim, vez ou outra produzíamos vídeos de músicas, paródias, gravação de entrevistas, uso de redes sociais para publicação de trabalhos produzidos em aula, visita em páginas voltadas à ciência educacional, entre outros. Lembro-me de projetos que renderam muitos frutos positivos, movimentou e engajou alguns de meus colegas professores, a gestão escolar e, com a inserção do uso de redes sociais, ampliamos a conexão com a comunidade – como pode ser visto nos comentários deixados por alunos em minha página pessoal, sobre o projeto ‘Sexualidade na cabeça”, desenvolvido no ano de 2012. Um dos vídeos feitos pelos alunos há nove anos ainda hoje está em uma plataforma e sempre é revisto com muita saudade.

A rede de ensino que trabalho atualmente está empenhada há alguns anos no uso das tecnologias a favor da educação. Como escola pública, demos passos grandes que minimizaram, pelo menos parcialmente, os danos causados pela mudança abrupta para o ensino remoto. As experiências possíveis com aqueles que conseguem participar das aulas remotas têm sido muito significativas e importantes. As atividades elaboradas para os alunos que não acessam as aulas síncronas são planejadas com o mesmo empenho e preocupação pedagógica, no entanto, o contato semanal fica prejudicado e, consequentemente impacta a aprendizagem, demonstrando que a conectividade para todos os estudantes brasileiros se tornou uma política pública necessária e urgente.

Neste contexto, preparei uma atividade de acolhimento para o primeiro dia de aula de 2021 dos meus alunos do sétimo ano, visando compreender como os estudantes se sentem nesse momento de volta às aulas, ainda em ambiente remoto. Assistimos a um curta metragem que trata sobre a importância do trabalho em grupo, conversamos sobre momentos difíceis que podem ser superados em conjunto e entendemos que o momento que vivemos exige algumas responsabilidades e também paciência. O diálogo foi excelente.

Apliquei uma atividade para saber o que pensavam sobre a volta às aulas e como poderia esperar, eles estavam muito ansiosos para a volta presencial, no entanto, parte deles se sentem seguros com a atual conjuntura pandêmica com a permanência das aulas remotas.

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