A Educação Básica é formada por três grandes etapas: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. O segmento da Educação Infantil configura-se como o primeiro contato da criança com a escola, atendendo alunos de 0 a 5 anos de idade. Lembrando que, no Brasil, a Educação Infantil é obrigatória para crianças a partir dos 4 anos, sendo facultativo o ingresso escolar nos anos anteriores.

Com a necessidade de suspensão das aulas presenciais, uma preocupação tomou conta dos educadores dessa etapa escolar: como minimizar os impactos da pandemia no processo de ensino-aprendizagem de crianças tão pequenas? Samantha Ladeira indica que, para lidar com situações novas, é preciso informação e formação.

A educadora retoma documentos normativos e as legislações do segmento para ressaltar a importância de se levar em consideração o desenvolvimento dos alunos e os direitos de aprendizagem. Ao considerar que a educação é um direito da criança, assegurado pelo artigo 205 da Constituição Federal, Samantha discorda da possibilidade de se cancelar o ano letivo em função da pandemia. Ela reforça que a criança tem o direito de ser atendida e elucida o trecho da legislação que pontua a educação como um dever conjunto “do Estado e também da família, incentivada com a colaboração da sociedade“.

Mas, se os eixos das práticas pedagógicas desse segmento são as interações e a brincadeira, como fazer isso de maneira não presencial?

A INTEGRAÇÃO DA FAMÍLIA NOS PROCESSOS REMOTOS

Samantha Ladeira entende a possibilidade de se trabalhar o ensino a distância na Educação Infantil. Essa modalidade de ensino, mais comum no Ensino Fundamental e Médio, através de plataformas para aulas online, pode ser adaptada para atender também as crianças pequenas.

No contexto da Educação Infantil, atividades e encontros podem acontecer de forma remota, mas a família assume o protagonismo das práticas pedagógicas, com o total apoio dos educadores.

Segundo Samantha, as crianças não param de interagir, com isso, os eixos pedagógicos estão assegurados. Cabe aos educadores apoiar as famílias para que essas atividades sejam contextualizadas.

Samantha resgata os 5 campos de experiências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Infantil. Segundo a educadora, é preciso oferecer para os pais a noção de que práticas de escuta, fala, pensamento e imaginação integram a formação da criança, desde que seja feita uma transposição de atividades para experiências.

Para a educadora, as “boas atividades acontecem quando se tem um desafio possível de ser realizado”. Ela destaca que a criança constrói conhecimento em contato com objetos em suas vivências cotidianas. Dessa maneira, oriente as famílias quanto a realização de brincadeiras e atividades como a estimulação sensorial e a contação de histórias, por exemplo.

DICAS DE ATIVIDADES REMOTAS COM AS CRIANÇAS PEQUENAS

Em essência, ao longo desse período de pandemia, Samantha sugere como adaptações metodológicas algumas práticas que podem ser acompanhadas de maneira remota pelo professor. São elas:

  • Gravar aulas que priorizem histórias, músicas e brincadeiras. Essas aulas podem ser disponibilidades por links ou enviadas por aplicativos de mensagens para os pais e responsáveis;
  • Orientar a família quanto ao uso de ferramentas tecnológicas a partir de intencionalidades educativas;
  • Disponibilizar para os pais jogos simbólicos que auxiliam nas aprendizagens de números e letras;
  • Sugerir atividades que integrem todos os membros da família, como a contação de histórias, por exemplo. Envolva inclusive o bichinho de estimação.

É importante que as atividades sugeridas estejam contextualizadas às realidades das crianças. Tente entender junto aos pais e responsáveis quais utensílios da vida diária podem ser utilizados para as práticas sugeridas. Existem livros de histórias nessa casa? A criança tem fantoches, tecido, instrumentos musicais? A partir dessa noção, adapte as atividades considerando os recursos possíveis para a família.

Para assegurar um bom planejamento das práticas pedagógicas, Samantha ainda elucida a importância da avaliação, que deve permanecer mesmo nas atividades remotas. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI) recomendam o acompanhamento do trabalho pedagógico e avaliação do desenvolvimento das crianças. Mas, é importante lembrar que nesse segmento a transmissão de conteúdos não implica aprovação e reprovação escolar.

Alinhadas às diretrizes do segmento, a educadora indica ações avaliativas como a observação crítica e criativa, os múltiplos registros do que foi realizado (seja em formato de portfólio ou relatório individual), além do feedback dos pais e das próprias crianças.

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