Para Adriano Massuda, expectativa é que aplicação do imunizante continue no ano que vem

Se o Brasil tivesse feito um bom planejamento da vacinação contra a covid-19, adquirindo os insumos necessários nas quantidades e prazos adequados, com a expertise do Plano Nacional de Imunizações (PNI) e do Sistema Único de Saúde (SUS), em dois a três meses seria possível vacinar toda a população, estima Adriano Massuda, professor e pesquisador do Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da FGV-EAESP. “Já fizemos isso outras vezes”, disse ele nesta quarta-feira na Live do Valor.

As vacinas — duas já em uso emergencial no país — trazem boas notícias na tentativa de controlar a pandemia, mas, por problemas de planejamento, houve demora no início da aplicação e o Brasil também deve ficar atrasado na efetivação do conjunto da campanha, disse o médico. “O abastecimento desse insumo, provavelmente, só vai chegar a quantidades adequadas a partir do segundo semestre.” Com isso, a expectativa é seguir até 2022 vacinando. “Não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona. Se sair batendo cabeça no início, não chegará ao fim.”

Ainda muito dependente de tecnologias estrangeiras na área da saúde, o Brasil “não pode errar no planejamento de compras”, reforçou Massuda. No geral, porém, o governo federal foi omisso, tanto em relação a imunizantes, quanto no caso de seringas e agulhas, disse ele. “Em uma situação como essa, a gente tem que ser protagonista, proativo, tem que ir atrás.”

Nesse contexto, surgem movimentos da iniciativa privada para adquirir vacinas. Se não houvesse escassez de imunizantes, esse tipo de ação “até poderia caber”, disse Massuda, lembrando que o setor privado já atua complementando o PNI. “Mas não pode, de maneira nenhuma, competir com o sistema público de saúde.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X
Open chat