O pediatra Rubens Cat, chefe do Departamento de Pediatria do Hospital das Clínicas, em Curitiba, reúne estudos científicos que mostram, por exemplo, que as chances de uma criança contaminar a outra dentro das escolas é de apenas 2%

“Nós, pediatras, temos que repassar dados e informações científicas corretas para que elas [famílias] tomem suas decisões. E a decisão dos pais de levar ou não o filho presencialmente à escola não deve ser criticada por ninguém”, afirma o pediatra Rubens Cat, professor da Universidade Federal do Paraná e chefe do Departamento de Pediatria do Hospital das Clínicas, em Curitiba.

O médico, assim como diversos grupos de pediatras, não esconde que é a favor de manter as escolas abertas durante a pandemia. Mas ele vai mais longe: “A escola, principalmente de crianãs da rede pública, pode ser mais segura do que seu próprio domicílio. Já há trabalhos científicos que mostram isso. Em um comparativo entre um grupo de crianças que ficou em casa e outro que foi para a escola, na França, quem ficou em casa teve de três a cinco vezes mais chances de contrair a covid do que as crianças que foram para as escolas públicas. Mas, claro, seguindo todas as medidas preventivas no ambiente escolar”, explicou, em entrevista à CRESCER.

Baixo risco de contaminação

O pediatra explica que são raros os casos em que uma criança pega o vírus dentro da escola e leva para o seu domicílio. “O vírus entra na escola através dos professores ou de crianças contaminadas pelos pais. Um estudo científico realizado em escolas primárias da Noruega, entre agosto e novembro do ano passado, mostra que a chance de uma criança com idade entre 5 e 13 anos contaminar a outra é de 1,5-2%. Já o risco de ela contaminar um adulto é de, no máximo, 3%”, exemplifica. 

O pediatra exalta também o caso da Suécia, que decidiu manter as escolas abertas enquanto muitos países fechavam. “Suécia foi um dos poucos países que decidiu manter abertas as pré-escolas. O distanciamento social era incentivado, mas o uso de máscaras não. Lá, entre março e junho de 2020, apenas 15 crianças que testaram positivo para a covid foram internadas em uma UTI — o que representa 0,77 por 100 mil. Além disso, quatro delas tinham uma condição crônica e nenhuma morreu”, afirma.

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Sobre os riscos aos professores, o médico defende que eles tenham prioridade na vacinação, no entanto, que “não há necessidade que todos [funcionários e professores] da escola sejam vacinados para que as aulas retornem”. “Uma das profissões mais seguras que existe na pandemia é trabalhar em escola infantil — mais do que trabalhar em uma repartição pública ou supermercado, por exemplo. Já está mais do que provado que a população infantil é menos atingida: pega menos o vírus, transmite menos e têm formas mais leves”, diz. Rubens Cat afirma também que as crianças são capazes, até mesmo, de “proteger” os professores. “Um trabalho científico com mais de 300 mil famílias na Escócia, publicado em setembro de 2020, mostrou que quanto mais filhos um casal tem, mais protegido contra a covid está. As crianças protegem os adultos de formas graves do vírus. Uma das explicações é que 75% das crianças já tiveram contato com o coronavírus — vírus da família da covid-19, comum em gripes e resfriados — nos primeiros anos de vida. Então, quando elas entram em contato com o novo coronavírus, seus organismos já têm uma memória imunologócia que as protege mais do que nós, adultos. Elas também estão em uma fase que recebem diversas vacinas e receberam o aleitamento materno. São muitas variáveis de defesa que os pequenos transmitem para quem convive diariamente com eles”, diz.

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